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divagações


Transitório

As próximas semanas serão na estrada, mais uma vez

A profusão de rostos desconhecidos, novas e antigas paisagens

A assepsia forçada dos quartos de hotel, os quilômetros que ficam por debaixo das rodas

 

Sempre me acho animado nestas circunstâncias, como se uma expectativa descabida se aninhasse em mim

Será dessa vez?

 

Já foram tantas ,e a disponibilidade de pouco adiantou

O desconhecimento do porvir me instiga, me inspira e me faz abotoar as malas, certo de que será dessa vez.

 

Será essa a viagem definitiva?

Aquela da qual não voltarei o mesmo, aquela, inesquecível?

Aquela ida que não trará a vontade da volta? Ficará uma parte de mim no meu destino?

 

Talvez seja somente mais uma, de tantas.

Talvez em vinte dias retorne exatamente da mesma maneira que me deixei na partida.

Com as roupas sujas na mala, e mais umas dezenas de papéis

Dizem que o trabalho torna o homem bom e honesto. Pois bem, tenho ai ao menos, mais uma chance.

 

E sempre vale a pena correr o risco.

 



Escrito por Emerson Rechenberg às 10h26
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Juntas

Como resultado de uma infância ativa e esportiva, colecionei fraturas e outros machucados do gênero. Mas, exceto pelo tempo necessário para a recuperação, essas contusões nunca mais incomodaram. Até agora.

Ultimamente, minhas juntas tem dado sinais constantes de vida. Mandam lembranças várias vezes por dia. Meu ombro direito tem sido o mais incisivo, porém  o pé esquerdo não fica muito aquém.

Juntas, junções, partes que se encontram. Facilmente encontro analogias, e acho que o incômodo nas juntas deve ser um sinal. De partes que não mais se encontram, de coisas que não mais se juntam. Mecanismos incompletos, sem graxa, sem mais o encaixe antes perfeito. Engrenagens que não funcionam direito, que não cumprem mais suas funções.

Curioso sentir incômodo justamente nas juntas! Se fosse em alguma parte fixa, um osso, um órgão, mas não: só nas juntas! E nem as juntas doem sozinhas...

Tenho exercitado as juntas, e a dor diminui um pouco.

O que me cabe, o que me é possível, tenho feito.



Escrito por Emerson Rechenberg às 10h25
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O teu e o meu silêncio

O teu silencio, a tua ausência, a tua falta, um piano que ecoa, a garoa que molha o telhado lá fora, meu coração apertado, querendo saltar do peito e correr mundo afora, os dias sem porquê, as noites insones, tua foto, tua lembrança, teu cheiro, teus olhos, minha dor que não se vai, e eu nem mesmo sei porque.

Minhas ilusões, minhas fantasias, tuas fantasias, aquele velho carnaval, aquela máscara, a minha máscara, os teus cabelos, a minha barba que cresce e cresce, o meu cabelo esbranquiçado, a minha falta de rumo, o teu porvir incerto.

A tua volta, a minha ida sem porque, minha voz que não fala, teus ouvidos que não ouvem, teu coração que não sente.

A minha tosse, o teu andar, o meu café, meus pulmões cansados, meu pé que dói nos dias de chuva.

As tuas lembranças a meu respeito, as minhas mãos que não sabem escrever, teu corpo, minha alma seca, a tv que não se cala.

Minhas repetições, minha falácias, minha previsibilidade, teu céu, teu mar, minhas mentiras, tuas verdades, teu ser, meu tudo, meu ser, teu nada, minhas unhas, tuas pupilas, teu endereço, meu telefone, minha cor que fica cinza, tua onda, meu mar.

Minhas cartas que retornam, você que não volta, eu que fico, eu que quero ir, meus clichês, meus jargões, tua poesia, tua beleza, minha sordidez, tua pureza, minhas canções, teus filmes.

O teu silencio, a tua indiferença, a minha mudança, a diferença que você fez. A diferença que você não faz mais.

 

O tempo que passa, a verdade que se revela. A foto que amarela, a tinta que some do papel.

 

Tua fraqueza, tua maldade disfarçada, minha força, meu renascer. Tua arrogância, meu rever, teus excessos, teus erros, minha paciência que se esvai, teu rosto que se esvai, meu sorriso que brota, teu perfume que o vento leva, minhas narinas livres.

Teu ainda, meu jamais. Teu querer, meu esquecer. Tuas lagrimas tardias, teu despertar, teu desejo, minha repulsa, meu asco. Tuas artimanhas, meu rescaldo, teu “um dia”, meu “it´s over”. Teu tempo que passa, teu corpo que definha, meu coração que cicatriza, meus olhos que ainda reconhecem a beleza, teus olhos que perdem o brilho. Tua voz que me chama, tuas mãos que me buscam,  meus ouvidos surdos, meu corpo que se esgueira.  Teu ódio, minha complacência.  Tua raiva, meu sorriso, teu praguejar, minha ironia tranqüila. Tua solidão, teu tédio, minha placidez, teu coração amargo, minha alma leve. Teus quereres tardios, meu querer refeito, teu rancor, teu veneno, tua revolta, minha paz.

 



Escrito por Emerson Rechenberg às 16h46
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3:11 am

Brincadeira perigosa, essa de escrever. Perigosa e compulsiva. Não que me ache um escritor, sou despretencioso demais para isso. Não passo de um ajuntador de palavras, prolixo e descabido. Entretanto, a brincadeira tem sido benéfica: exercito as palavras, como quem exercita músculos. Algumas coisas brotam espontâneas, outras são meticulosamente construídas. Em ambos os casos, sou eu não sendo. Sou eu outro, que se expressa diferente de mim. Eu mesmo não teria paciência de me ler. Ah, e há também a ironia, sempre recôndita, além dos neologismos e termos rebuscados. E como toda brincadeira, nem sempre tudo sai como imaginávamos.



Escrito por Emerson Rechenberg às 03h11
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Hiato

Resolvi conceder um hiato nas divagações para tentar escrever algo mais próximo daquilo que se poderia chamar de concreto. Resolvi também, apagar por alguns instantes, o ponto final que coloquei numa estória ja não tão recente, para expor algo bem simples: sim, foi muito bom falar contigo! Dentre as desistências todas, a sua talvez tenha sido a mais custosa. Sábia, todavia custosa. Te ouvir, mesmo que de longe, entretanto, foi extremamente agradável. Perceber que o diálogo ainda se faz possível e que nem mudou tanto assim. Um simples ter notícias, mas recheado de significados. Sim, foi bom! E eu, que já andava de alma boa, retomo a vida com ela ainda mais leve, quase engraçada como os meus cabelos. E lembrarei deste feriado por dois motivos: a diversão do jogo eletrônico e as palavras trocadas contigo.



Escrito por Emerson Rechenberg às 05h21
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Noites Brancas

Nunca foi secreta minha admiração por um senhor chamado Dostoievski. Noite desssas, relendo alguns pequenos contos, revisitei aquele que dá título a esse comentário. E me vi obrigado a publicar, ao menos um trecho. Mais uma vez suas palavras soaram tão próximas, que se não fosse o enorme respeito, me ofenderia por colocar de forma tão precisa no papel aquilo que deveria ter sido escrito por mim:

"- Mas  que só eu recorde a minha dor, Nestanka! Que eu não chame com amargas censuras uma nuvem sombria sobre a tua clara e tranquila felicidade, que não desperte no teu coração o arrependimento, nem o amargure com um secreto remorso ou o obrigue a bater com tristeza nos momentos de felicidade. Que não faça fenecer as ternas flores que colocarás nos teus cabelos negros no dia em que irás com ele ao altar... isso nunca! Nunca! Que o teu céu seja luminoso, que claro e sereno seja o teu gentil sorriso e bendita sejas tu própria pelo minuto de felicidade e de alegria que proporcionaste a um coração solitário e grato. Meu Deus! Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira de um homem?"



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h07
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O Eterno Retorno

Não foram poucas as coisas que abandonei nos últimos tempos, e entre elas o meu pobre blog. E para que o ano nao termine sem algumas parcas palavras, cá estamos. Tanto por escrever, tão pouco para recordar. Assim sendo, a retrospectiva começará ja, e talvez termine até o fim do ano. Talvez não.

Tentarei manter a frequência da escrita, a veracidade dos fatos, ou não. Falarei mais de trabalho do que de mim mesmo, se isso for possível. Lendo a ultima frase, parece resolução de ano novo. É, 2009 ja acabou, definitivamente.



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h55
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E lá se vai mais um...

2008!

Definitivamente, o ano em que menos escrevi aqui. Foram tantas idas e vindas que nem lembrei. Dificil externar tudo que acontecem nesses míseros 365 dias. Mesmo em vão, vou tentar... Obviamente será sob o meu ponto de vista, sob a  minha ótica, que pode ou não corresponder à realidade... Será um exercício de memória interessante, e sei que o farei sem reviver as sensações de cada episódio. Um simples relato, como se não tivesse acontecido comigo...



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h33
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Nem tudo é tão sombrio...

Sempre existem cores, aromas, sons e seres que legitimam a tal coisa improvável chamada vida... E nelas que vale apena se prender... E existe um pequeno ser, que com sua inocência e fragilidade faz com que as coisas voltem a fazer um certo sentido... E arrisco me dizer feliz quando perto dela, por mais que sejam raros esses momentos... Bem-vinda, pequena Laura, que o mundo te retribua esse pequeno e sincero sorriso...

Existem os sons também, esses tao mágicos quanto... Verdades nossas escritas por outras pessoas que nos invadem sonoramente, e que nos dão a ilusória e temporária noçao de que não estamos sozinhos...

E existem uns olhos, fugidios, ainda mais mágicos... mas deles tratarei um dia... ou não...



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h38
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Tempo demais...

Dizem que fiquei fora por tempo demais...

Talvez nem tenha ido, e nem mesmo voltado, de um lugar que não sei onde é... talvez nem mesmo os lugares existam, talvez seja o todo uma só coisa, um só tempo, um só lugar... Duvidar? Sempre!

E de onde vem a calma? Do mesmo lugar da fúria? Continuo pseudo-autista... E coleciono promessas... as minhas nem mesmo sei se as fiz, as dos outros, talvez tenha escutado errado... O que salva entao, é escrever, distraidamente...



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h08
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O Inverno

Neste ano, o frio durou mais tempo, como antigamente...

Logo, meu silêncio também... Nunca foi segredo o quanto gosto do frio...

Logo o calor voltará, e minhas palavras com ele...

Aproveitemos pois, os ultimos dias...



Escrito por Emerson Rechenberg às 21h39
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uma espécie de..

Olhando para tempos distantes, não reconheço quem vejo no espelho... e não sei ao certo em que momento me tornei o que sou...de muitas coisas nao sinto saudade, mas de gostar como gostava, ah, isso sinto falta sim... o pierrot morreu...e aquela especie de amor, se foi com ele...

Escrito por Emerson Rechenberg às 00h34
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A cada trinta dias...

Lá fora há uma chuva de meteoros, que eu não vi...

Se até os meteoros caem, porquê eu nao haveria de cair?

Já faz um mês... pra outras coisas mais ou menos de um dia, um ano...

E assim, o tempo escorre... e já não corro, ao menos hoje... há uma certa paralisia, um ruflar de asas negras...

Uma cor que torna a apagar, a diluir-se... o eterno dura muito pouco nos humanos...

Talvez a dor passe, talvez me acompanhe por algumas luas...

E aí, sorrir se torna mais difícil...



Escrito por Emerson Rechenberg às 01h07
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Vestígios

Novas cores pintam o céu cinza, novos ares renovam o ar sujo dos pulmões...

Os sons, também mudaram e fazem companhia... alimentam uma velha alma... que por dias se renova e se esquece do verão que queima... e que quase sorri, sincera...

Mas como sempre há o mas, alguns vestígios ainda precisam ser apagados...algumas pegadas desfeitas, algumas palavras amargas precisam ser ditas... para renovar e não esquecer que as vacas emagrecem...

Que a época, propícia a renascimentos, inspire... que nossas narinas inspirem novos ares, novos perfumes...que nossas retinas percebam novas matizes, e que saibamos reconhecer a beleza até no mais cinzento cinza...



Escrito por Emerson Rechenberg às 23h21
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Blind

If I could tear your from the ceiling, I know best have tried

I´d fill your every breath with meaning, anda find a place we both could hide...

If I could tear you from the ceiling, I´d freeze us in time

And find a brand new way of seeing

Your eyes forever glued to mine....



Escrito por Emerson Rechenberg às 23h09
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