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 Blog da CAHK
 Memórias do Subterrâneo
 Neurose multipla





divagações


Fogão à Lenha

O mundo dos outros, e o meu, pegando fogo... eu, porém, preocupado apenas com meu fogão... Madeira que queima, que aquece, que recorda de um passado infantil, que nunca entendeu por quê aquele gigantesco móvel de ferro servia apenas de enfeite e apoio... perguntarei à minha mão, na próxima visita...poderia fazê-lo por telefone, mas assuntos sérios devem ser tratados pessoalmente, ela me ensinou assim...

E, eis que numa dessas noites de fog, que me lembram a Londres que nunca estive, fiz meu primeiro jantar no famoso fogão. Só escolhi essa casa por causa dele. E já tinha jantado...! Apenas mais um dos incontáveis paradoxos que me acompanham desde meu primeiro inverno. Nasci no inverno, e esse será sem dúvida, o menos solitário de todos os tempos... Estaremos aqui, meu antigo novo companheiro de ferro, a lenha seca a estalar, e as palavras... ah, e deixa a primavera pra bem mais tarde...



Escrito por Emerson Rechenberg às 00h52
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Retornando ao Subterrâneo, again...

Memórias de um belo espetáculo

 

Helcio Kovaleski*

 

A expectativa era grande. Não só pelo fato de o espetáculo ser uma adaptação de um conto de um dos maiores escritores da literatura mundial, como também o de ser adaptado, encenado e interpretado por alguém que por três vezes integrou o corpo de jurados do Festival Nacional de Teatro (Fenata), da UEPG.

É corrente se falar que o binômio rito/risco é uma característica inata do teatro. Rito, porque o espaço em que transita o teatro é quase sacralizado. Se, como diz Peter Brook, um espetáculo é uma espécie de condensação da vida, ele merece respeito tanto quanto. Então, quando o que antecede um espetáculo é caracterizado com um respeito quase sacerdotal, percebe-se a que ele veio. Já o risco – bem, o risco faz parte da própria essência do teatro. Assim como não existe arte sem ter havido um processo dolorido, o que lhe confere o estatuto de veracidade, honestidade e, por fim, de uma aura que só faz, ao mesmo tempo, ratificar e retificar a proposta benjaminiana, também não existe teatro sem risco. Pois que o teatro, se é a mímesis da vida, como ensinou há séculos Aristóteles, e se a vida não se vive sem riscos, é um paradoxo incontornável haver um espetáculo teatral sem risco.

“Memórias do Subterrâneo”, montagem adaptada do conto homônimo do escritor russo Fiódor Dostoievski, assinada pelo diretor de teatro curitibano Emerson Rechenberg, é uma experiência da qual não esquece tão cedo. Exatamente porque há rito e risco. O rito: uma serviçal, chata que só, anuncia que o personagem que virá depois é um casca-grossa. Não só a serviçal como também o próprio ambiente impõem-se e o teatro se instala. Já o risco vem a seguir.

Mas, primeiro, o texto de Dostoievski. “Aqui ressoa a voa do ‘homem do subsolo’, o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos – contra a ciência e contra a superstição, contra o progresso e contra o atraso, contra a razão e a desrazão –; mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência, criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética, que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente”, informa a contracapa da terceira edição da Editora 34 (São Paulo, 2000). É espantosa a atualidade do que fala Dostoievski através de seu personagem. É tudo tão vívido que quase não se acredita que o conto foi publicado em 1864. Porém, o que chama a atenção é a capacidade do autor russo de prenunciar uma constatação histórica.

Explica-se. Ao fazer seu personagem investir “contra tudo e contra todos”, inclusive a ciência e a razão, Dostoievski antecipa a constatação da falência do projeto moderno – aquele mesmo que nasceu com os iluministas da Revolução Francesa. E, em mais de meio século, antecipa também o pensamento dos filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, da Escola de Frankfurt, que denunciaram o ocaso da razão através dos horrores perpetrados pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial (no conjunto de fragmentos “Dialética do Esclarecimento”, publicado apenas dois anos após o conflito).

Mas é de literatura que se está falando. E o recurso utilizado por Dostoievski, com muita propriedade, é a ironia. Não que isso fosse novidade na Rússia de meados do século 19. Só que ele o faz com tanta maestria que deixa o seu texto, ainda que denso, com tal fluência que quase passa despercebido o fato de que se trata de um... conto.

Voltando ao teatro, adaptar uma obra desse porte é sempre um risco, e Emerson Rechenberg não se intimidou com isso. Pelo contrário. Com uma lupa na mão e uma grande luminária ao lado, extraiu trechos do texto de Dostoievski que dão a exata dimensão do que o russo quis dizer. E o que quer dizer Emerson com essa montagem? Simples: a denúncia da falência da razão nestes tempos de horrores perpetrados pelo politicamente correto; o desmascaramento dessa obtusidade da cultura do “mais fácil”, inclusive e principalmente no teatro.

A sua adaptação bebeu direto da fonte da tradução esplêndida de Boris Schnaiderman. E o trabalho foi tão bem preparado que resulta em uma obra de ourivesaria – o que lhe rendeu elogios do próprio Boris. Emerson trata o texto com tanto respeito – e isso não quer dizer, de maneira alguma, que ele o deixou sacralizado ao ponto de torná-lo intocável –, e a sua preparação como ator foi tanta, que assistir-lhe em cena faz refletir sobre o próprio papel do teatro, atualmente. E a conclusão é obvia: o teatro está vivo, sim. Viva o teatro!

Emerson acaba se saindo bem na empreitada. É visível o seu esforço em dar a cada palavra pronunciada a importância que lhe é devida. Sem contar que usa a ironia com mão segura, graduando-a com polifacetismos vocais. Não obstante a densidade intelectual do texto, o espetáculo emociona, pois o ator/diretor tem a inteligência de alterná-lo entre o riso e a farsa, mesmo que algo forçados (pois o que o Dostoievski tem a dizer ainda hoje é um verdadeiro soco no estômago), e a tragédia – esta prefigurando, em forma e conteúdo, exatamente uma certa falência da razão nestes tempos globalizados.

Além disso, Emerson recriou o ambiente do conto em um quarto infecto incrustado no fundo de um porão. Um verdadeiro muquifo, cheio de signos inerentes ao personagem-narrador: restos de imagens de santos, uma mesa, duas cadeiras, umas tiras brancas – com que ele enfaixa as canelas –, uma garrafa de água, um copo, uma caneca e quatro bonecas, com quem ele ‘dialoga’.

Com um texto literário, é preciso usar e abusar da imaginação. É o que Emerson faz. A iluminação é prova disso: tudo com velas – uma bela sacada que resume muito bem a proposta de forma e conteúdo que é o eixo-condutor da montagem.

Este crítico assistiu ao espetáculo em duas oportunidades: em 6 de março, no Clube do Comércio de Irati, e no dia 1º de maio, no Cine-Teatro Ópera, em Ponta Grossa. Na primeira, o público – limitado a vinte pessoas – foi convidado a acompanhar o espetáculo literalmente dentro do cenário. Já na segunda, pela disposição de um quase palco italiano do auditório B do Ópera, há uma certa distância entre público e ator. Se algo foi perdido entre o primeiro e o segundo momentos? Que nada. Pelo contrário. Emerson adapta-se muito bem aos espaços. Vida longa ao seu espetáculo!

 

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*Helcio Kovaleski é ator, diretor e crítico de teatro.



Escrito por Emerson Rechenberg às 16h19
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Alguns dias

Uma lavra nova aguarda para ser exposta, mas tudo tem seu tempo. De novo, o tempo...

Pensado em dias, horas que se acumulam, alguns são diferentes... marcam, ou deveriam ser esquecidos, como se possível fosse...

Outros, aguardados com ansiedade, por pequenos detalhes...

E hoje, é um destes dias, que de tão especiais me fizeram perder o sono...

E os olhos pesados, saúdam este dia, tão cheio de significados, com tantas sensações distintas...

A Lavra nova virá, mas não hoje.... Que o hoje fique reservado...



Escrito por Emerson Rechenberg às 12h33
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Eu e o tempo (Into the Wild)

Eu, o tempo, as datas, os ciclos, intima relação. Poderia falar dos dois últimos anos, mas faltaria tempo. Fico então apenas com os últimos vinte dias. Intensos, como sempre, porém, carregados de um novo hálito, uma matiz diferente. Cinza sim, mas com um novo significado. Um novo cinza. O mais belo cinza. Que me faz lembrar dos últimos vinte dias como se lembra de um inicio de ano. Como as férias da escola que eram tão longas e intensas. Vinte dias, quase nada, para alguém próximo das quatro décadas, sempre intensas. Tanto, em tão pouco tempo. O avô distante que se foi ainda pra mais longe, e que não mais verei, a afilhada distante, que fica cada dia mais próximo, a grande amiga, antes distante, que retorna, as cidades distantes  que em breve serão tão próximas. E alguém, não tão longe, que a cada instante fica mais perto. Um alguém novo, que parece tão próximo. Um tempo tão curto, um sentir tão intenso. Etapas queimadas, como o tempo, tão volátil. Um reconhecer com cara de reencontrar. E a sensação de reencontrar alguém que não conhecia ainda. Vinte dias. Tempo curto, mas tempo de paz, de cinza alegre, de planos ,de vontades, de quereres. De pressa e de contemplação. De expectativas e feitios. De ânsia pelo encontro e de aspirar que pare. De imaginar, perder o sono, de sorrir. De suspeitar, de dizer “deve não ser”. De refazer a frase, tendo a certeza de que “sim, é”. Vinte dias, apenas. Mas que já valem anos. Meu reveillon veio mais cedo este ano.



Escrito por Emerson Rechenberg às 14h42
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Feriado. Da volta pra casa, da alegria em rever a silhueta da cidade que me conhece tão bem. Do retorno ao lar, com suas novidades e ranços. Das canções de Last Shadow Puppets. Da Pedreira e suas lembranças. Da Paixão e do silêncio. Do Judas escasso nos postes. Do jejum. Das duras palavras, do novo silêncio subsequente. Da doce lembrança de doces lábios, da paineira na velha praça. Do Pudim e da Serra Malte. Dos novos olhos tão familiares. do despojamento e da cumplicidade recém adquirida. Do vislumbre de nova parceria, do reconhecer artistico. Da longa caminhada rumo a um lugar tão conhecido, tao amplo de recordares. De antigos e eternos amigos. Da velha Palladium. Dos bons papos. Do encontro com meu irmão Polaco. Do amanhecer sob a garoa. Da dor de cabeça, da manhã barulhenta, da tarde cinza na velha nova Baixada. Da noite de domingo, do ir novamente, do deixar coisas pra tras. Do sentir o bom e o ruim. De lembrar e de esquecer.



Escrito por Emerson Rechenberg às 20h01
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Palavrório

Ter certeza da  mudança é sempre difícil. E devo te agradecer por me trazer esta certeza. Há tempos idos, as estações se sucederiam e eu continuaria remoendo cada palavra, dando a elas todas as elaborações possíveis. E desta vez foi diferente. Talvez uma prova necessária da mudança. Durante um tempo achei que fosse uma simples desistência, caminho fácil. Chegaram a afirmar isto, com todas as letras, a meu respeito. Mas prefiro acreditar em aceitação. Em simplicidade, em mais ações e menos palavras. Acreditar não em réplicas, e sim em pedras se devem ser colocadas. Já estava na hora de deixar as letras restritas ao meu trabalho e começar a viver. E é vivo, e ativo que esboço estas palavras, apenas e tão somente pelo respeito e sentimento que te tenho.

“Adeus” e “recomeço” são palavras extremadas, que significam tudo e nada. Semântica. Complicado demais para a vida simples que escolhi ter. E te agradeço por me fazer entender que o velho peito, agora permissivo ainda pode bater forte, e que ainda sente e deseja. Mas com a mesma facilidade, aceita. E sorrindo, aceito. Simples assim. O inverno que se aproxima, será o segundo que me encontrará assim. E a geada que me brindará em breve já presenciou outros “adeus”.

São os ciclos, infindáveis. Ou o famigerado “prazo de validade”. Talvez seja mesmo hora de contemplar outros ouvidos ingênuos com bons sons. Talvez seja mesmo hora de sentir novos aromas, outros gostos, outras carnes trêmulas. Sim, siga em frente, eu farei o mesmo. E talvez numa destas curvas que o destino insiste em colocar em nosso caminho, nos encontremos. Tenho consciência que minha liberdade assusta, que minhas escolhas assustam, que meu casebre humilde e suas tábuas rangentes assustam, e que isso me afasta das pessoas. Mas esta é minha vida, minha nova e feliz vida. Vida levada com o prazer e o orgulho do meu trabalho. E se ela é incompatível com a vida de qualquer outra pessoa, não posso fazer nada. É a minha escolha.

Sim, siga em frente! Estarei aqui, torcendo para que sua jornada rumo ao palácio de cristal seja exitosa e divertida, e que seu coração encontre encantamento e pessoas em quem confiar. Eu, daqui, do subterrâneo, sereno, abandono as reticências e o palavrório, e aceito sorrindo o adeus.



Escrito por Emerson Rechenberg às 14h24
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Um rosto de cera

O espelho trincado encontrou nesta manhã um rosto um pouco diferente. Com a barba gigantesca, ele ja se acostumou, porém havia algo diferente naquele rosto, nesta manhã. Uma ausência nova. E parecia improvável que pudessem haver novas ausências. Aquele rosto inerte, quase de cera, era tão diferente das noites anteriores, onde brotavam expressões abundantes, seja por necessidade ou por mero prazer sincero. Mas nesta manhã, o espelho trincado encontrou um rosto de cera, sem saber o que expressar. Olhos vazios, lábios sem forma. Uma interrogação, um vazio e um "não sei" estampados por debaixo dos pelos.



Escrito por Emerson Rechenberg às 14h41
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REinício

Vamos lá... mais uma vez, rever-se, repensar-se, reinventar-se...

Descobrir palavras novas, que juntas talvez façam sentido... acreditar em novas pessoas, que querem ainda de forma sincera e ingênua, descobrir na arte um significado... estender a mão e acreditar que ainda é possivel caminhar de mãos dadas... perceber que um sorriso pode ser mais encantador que as palavras que são proferidas... entender que os deslizes alheios são só deslizes... aprender a respirar fundo, e começar de novo... crer que ouvidos bem atentos podem encontrar a beleza na canção negligenciada... constatar que o peito ainda pode bater forte por coisas tão pequenas... desistir do que for realmente impossível... deixar pra lá o que passou... olhar em frente, desejando mais e melhor...



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h29
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Rescaldo

Pensando no ano que se foi, me esforço por me convencer que foi um bom período. Minha vida se tornou simples, bem mais simples, pude reafirmar algumas crenças, estabelecer alguns novos laços. Tive a chance de estar no show (o maior da terra) que sempre quis, pude acompanhar os passos ligeiros de minha pequena afilhada, pude comemorar meu aniversário com novos e leais amigos, e tive momentos de extrema paz.

Sempre retorno à minha terra natal nesta época, e ela nunca me foi tão estranha quanto desta vez. Nos apartamos, de verdade, pela primeira vez. Me sinto quase um forasteiro. Não encontro mais ninguém, os conhecidos se foram, exceto pelo pessoal do futebol do bairro, estes continuam. De resto, muito pouco. E ingenuamente, imaginei que iria encontrar algumas pessoas, que também visitam os seus neste período, mas nem isso. É, muita coisa muda em pouco mais de um ano! Talvez seja mesmo hora de sepultar o passado, e recomeçar. Sem ranço ou raiva, apenas trilhar em frente. Talvez muitas datas de validade tenham expirado; talvez seja hora de aceitar que grande parte das companhias, é sempre interesseira. E talvez seja hora de voltar pro meu canto. E não farei falta por essas plagas, e talvez pela primeira vez, sinta menos falta de um lugar que um dia foi tão meu.



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h08
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Transitório

As próximas semanas serão na estrada, mais uma vez

A profusão de rostos desconhecidos, novas e antigas paisagens

A assepsia forçada dos quartos de hotel, os quilômetros que ficam por debaixo das rodas

 

Sempre me acho animado nestas circunstâncias, como se uma expectativa descabida se aninhasse em mim

Será dessa vez?

 

Já foram tantas ,e a disponibilidade de pouco adiantou

O desconhecimento do porvir me instiga, me inspira e me faz abotoar as malas, certo de que será dessa vez.

 

Será essa a viagem definitiva?

Aquela da qual não voltarei o mesmo, aquela, inesquecível?

Aquela ida que não trará a vontade da volta? Ficará uma parte de mim no meu destino?

 

Talvez seja somente mais uma, de tantas.

Talvez em vinte dias retorne exatamente da mesma maneira que me deixei na partida.

Com as roupas sujas na mala, e mais umas dezenas de papéis

Dizem que o trabalho torna o homem bom e honesto. Pois bem, tenho ai ao menos, mais uma chance.

 

E sempre vale a pena correr o risco.

 



Escrito por Emerson Rechenberg às 10h26
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Juntas

Como resultado de uma infância ativa e esportiva, colecionei fraturas e outros machucados do gênero. Mas, exceto pelo tempo necessário para a recuperação, essas contusões nunca mais incomodaram. Até agora.

Ultimamente, minhas juntas tem dado sinais constantes de vida. Mandam lembranças várias vezes por dia. Meu ombro direito tem sido o mais incisivo, porém  o pé esquerdo não fica muito aquém.

Juntas, junções, partes que se encontram. Facilmente encontro analogias, e acho que o incômodo nas juntas deve ser um sinal. De partes que não mais se encontram, de coisas que não mais se juntam. Mecanismos incompletos, sem graxa, sem mais o encaixe antes perfeito. Engrenagens que não funcionam direito, que não cumprem mais suas funções.

Curioso sentir incômodo justamente nas juntas! Se fosse em alguma parte fixa, um osso, um órgão, mas não: só nas juntas! E nem as juntas doem sozinhas...

Tenho exercitado as juntas, e a dor diminui um pouco.

O que me cabe, o que me é possível, tenho feito.



Escrito por Emerson Rechenberg às 10h25
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O teu e o meu silêncio

O teu silencio, a tua ausência, a tua falta, um piano que ecoa, a garoa que molha o telhado lá fora, meu coração apertado, querendo saltar do peito e correr mundo afora, os dias sem porquê, as noites insones, tua foto, tua lembrança, teu cheiro, teus olhos, minha dor que não se vai, e eu nem mesmo sei porque.

Minhas ilusões, minhas fantasias, tuas fantasias, aquele velho carnaval, aquela máscara, a minha máscara, os teus cabelos, a minha barba que cresce e cresce, o meu cabelo esbranquiçado, a minha falta de rumo, o teu porvir incerto.

A tua volta, a minha ida sem porque, minha voz que não fala, teus ouvidos que não ouvem, teu coração que não sente.

A minha tosse, o teu andar, o meu café, meus pulmões cansados, meu pé que dói nos dias de chuva.

As tuas lembranças a meu respeito, as minhas mãos que não sabem escrever, teu corpo, minha alma seca, a tv que não se cala.

Minhas repetições, minha falácias, minha previsibilidade, teu céu, teu mar, minhas mentiras, tuas verdades, teu ser, meu tudo, meu ser, teu nada, minhas unhas, tuas pupilas, teu endereço, meu telefone, minha cor que fica cinza, tua onda, meu mar.

Minhas cartas que retornam, você que não volta, eu que fico, eu que quero ir, meus clichês, meus jargões, tua poesia, tua beleza, minha sordidez, tua pureza, minhas canções, teus filmes.

O teu silencio, a tua indiferença, a minha mudança, a diferença que você fez. A diferença que você não faz mais.

 

O tempo que passa, a verdade que se revela. A foto que amarela, a tinta que some do papel.

 

Tua fraqueza, tua maldade disfarçada, minha força, meu renascer. Tua arrogância, meu rever, teus excessos, teus erros, minha paciência que se esvai, teu rosto que se esvai, meu sorriso que brota, teu perfume que o vento leva, minhas narinas livres.

Teu ainda, meu jamais. Teu querer, meu esquecer. Tuas lagrimas tardias, teu despertar, teu desejo, minha repulsa, meu asco. Tuas artimanhas, meu rescaldo, teu “um dia”, meu “it´s over”. Teu tempo que passa, teu corpo que definha, meu coração que cicatriza, meus olhos que ainda reconhecem a beleza, teus olhos que perdem o brilho. Tua voz que me chama, tuas mãos que me buscam,  meus ouvidos surdos, meu corpo que se esgueira.  Teu ódio, minha complacência.  Tua raiva, meu sorriso, teu praguejar, minha ironia tranqüila. Tua solidão, teu tédio, minha placidez, teu coração amargo, minha alma leve. Teus quereres tardios, meu querer refeito, teu rancor, teu veneno, tua revolta, minha paz.

 



Escrito por Emerson Rechenberg às 16h46
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3:11 am

Brincadeira perigosa, essa de escrever. Perigosa e compulsiva. Não que me ache um escritor, sou despretencioso demais para isso. Não passo de um ajuntador de palavras, prolixo e descabido. Entretanto, a brincadeira tem sido benéfica: exercito as palavras, como quem exercita músculos. Algumas coisas brotam espontâneas, outras são meticulosamente construídas. Em ambos os casos, sou eu não sendo. Sou eu outro, que se expressa diferente de mim. Eu mesmo não teria paciência de me ler. Ah, e há também a ironia, sempre recôndita, além dos neologismos e termos rebuscados. E como toda brincadeira, nem sempre tudo sai como imaginávamos.



Escrito por Emerson Rechenberg às 03h11
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Hiato

Resolvi conceder um hiato nas divagações para tentar escrever algo mais próximo daquilo que se poderia chamar de concreto. Resolvi também, apagar por alguns instantes, o ponto final que coloquei numa estória ja não tão recente, para expor algo bem simples: sim, foi muito bom falar contigo! Dentre as desistências todas, a sua talvez tenha sido a mais custosa. Sábia, todavia custosa. Te ouvir, mesmo que de longe, entretanto, foi extremamente agradável. Perceber que o diálogo ainda se faz possível e que nem mudou tanto assim. Um simples ter notícias, mas recheado de significados. Sim, foi bom! E eu, que já andava de alma boa, retomo a vida com ela ainda mais leve, quase engraçada como os meus cabelos. E lembrarei deste feriado por dois motivos: a diversão do jogo eletrônico e as palavras trocadas contigo.



Escrito por Emerson Rechenberg às 05h21
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Noites Brancas

Nunca foi secreta minha admiração por um senhor chamado Dostoievski. Noite desssas, relendo alguns pequenos contos, revisitei aquele que dá título a esse comentário. E me vi obrigado a publicar, ao menos um trecho. Mais uma vez suas palavras soaram tão próximas, que se não fosse o enorme respeito, me ofenderia por colocar de forma tão precisa no papel aquilo que deveria ter sido escrito por mim:

"- Mas  que só eu recorde a minha dor, Nestanka! Que eu não chame com amargas censuras uma nuvem sombria sobre a tua clara e tranquila felicidade, que não desperte no teu coração o arrependimento, nem o amargure com um secreto remorso ou o obrigue a bater com tristeza nos momentos de felicidade. Que não faça fenecer as ternas flores que colocarás nos teus cabelos negros no dia em que irás com ele ao altar... isso nunca! Nunca! Que o teu céu seja luminoso, que claro e sereno seja o teu gentil sorriso e bendita sejas tu própria pelo minuto de felicidade e de alegria que proporcionaste a um coração solitário e grato. Meu Deus! Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira de um homem?"



Escrito por Emerson Rechenberg às 02h07
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