Confissões...
Confesso a simplicidade quase tosca de minhas palavras, que se formam e acabam por se expressar tortas... por isso as letras me fazem companhia, e delas me aproprio...
Confesso o paradoxo da crença mais profunda com a irritadiça negação do crer... que espero, mas que dispenso facilmente... que arrisco, me exponho, ao mesmo tempo que viro ostra...
Confesso que o encantamento me faz vivo, mas que uma certa dose de dor também me abastece...
Confesso que o mais puro e podre habitam minha alma, que sou capaz de roubar o ceu e de desejar a morte mais dolorosa...
Confesso acreditar que sou mais do que sou, minhas fraquezas e excentricidades... meus defeitos, que são só meus... que me importo muito por poucos e pouco por muitos...
Confesso ser eu, mas por vezes querer ser outro... ser outro, e ainda assim ser eu...
Confesso minha porção animal, minha porção gênio, meu lado ignorante, minha dor, meu prazer....
Confesso ser, humano.
Escrito por Emerson Rechenberg às 02h41
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