Muito...
Muito por dizer, muito a esconder, muito a perdoar...
Nossa existência é muito... ou ao menos deveria ser... a minha é... muito...
Superlativa, hiperbólica, exacerbada, intensa, profunda, profícua... em suma, muito, quase demais...
Não caibo mais em mim, me falta... me falta alguém pra dividir o que se mostra tão muito...
Nessa ausência, fragmento-me... espalho pedaços de mim naqueles que me cercam... poucos aceitam, alguns concordam, a maioria nem percebe... Preciso de mais vida, de mais vidas, essa não me basta... Na impossibilidade de interlocutores atentos, de seres que comunguem, me basto... e me vejo autofágico... me retroalimento, me mantenho, me reinvento, me acredito, me extasio, me digo e me calo, me escondo e me exibo, me perdoo e me condeno, me sou, muito... quase demais...
O demais nao me assusta, e flerto sorrindo com ele, como flerto com a moça de cintura fina...
Escrito por Emerson Rechenberg às 03h19
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as palavras e as moscas...
De retorno! De onde? Não sei... E, pra que? Só pra usar palavras que falam sobre palavras...
Nunca escondi minha predileção por elas, as palavras. Talvez as pessoas não me importem tanto, já as palavras... Guardo-as, remoo-as, resofro-as, recomprazo-me... Qualquer imbecil de nós, nada mais é que as palavras que profere...
Tenho ouvido palavras doces, outras vãs, outras ignóbeis... As doces (em geral de pessoas menos conhecidas) me inflam, me permitem voar, me alegram, me animam... As vãs, jogo-as no abismo das banalidades, tripudio-as, ignoro-as... Já as ignóbeis, as sem fundamento, as tolas, essas ferem... essas ficam...
Sábios são os que balbuciam palavras de década em década...
Escrito por Emerson Rechenberg às 03h04
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